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Ampliando as possibilidades do olhar

“Quem lê enxerga melhor”, diz o poeta Sergio Vaz fazendo referência à importância da leitura para emancipação das pessoas. Existe, porém, diante da verdade incutida nessa afirmação, além da necessidade de aprender e praticar a leitura, um problema que limita as possibilidades de aprendizagem nos alunos: a baixa acuidade visual.

Essa problemática incide sobre grande parte dos alfabetizandos atendidos nos programas desenvolvidos pela AlfaSol.

 

Percebendo isso como uma das principais causas de evasão, e também como um fator determinante para o desenvolvimento, foi criado o Projeto Ver, que é complementar aos programas de alfabetização, e visa distribuir gratuitamente óculos para jovens e adultos excluídos do sistema de ensino formal, com baixa renda e dificuldade de acesso à saúde pública (para acompanhamento oftalmológico). “São duas coisas que adiantam a nossa vida, as aulas e os óculos. Eles são muito importantes para ajudar a gente a estudar; para dirigir é muito bom também, faz uma diferença grande, principalmente à noite”, conta José Vicente da Silva Filho, aluno de umas das turmas de alfabetização.

 

O projeto tem como objetivo principal contribuir para melhoria na qualidade de vida dessas pessoas, não somente por meio das aulas, mas também reduzindo o grau de dificuldade no processo de aprendizagem. “Muitas vezes eles não conseguem fazer a leitura do que está exposto na lousa porque têm dificuldade de enxergar de longe. Outros não conseguem ler uma nota de jornal porque têm dificuldade de enxergar de perto, então é de extrema relevância essa iniciativa”, conta a educadora Roseneide Albino, responsável por uma das turmas, localizada no Jardim Horizonte Azul, extremo sul de São Paulo.

 

O atendimento aos alunos e a distribuição dos óculos ocorrem até o terceiro mês de aula. Ao longo desse período, acontece a mobilização do médico oftalmologista voluntário, o pré-agendamento das consultas e sugestões das óticas locais para confecção de óculos. Os alfabetizadores, previamente orientados na formação, aplicam um primeiro teste junto aos alunos para identificar qual deles apresentam problemas de visão. “Uma das alunas, por exemplo, não estava enxergando nada, não conseguia acompanhar as aulas, agora já está lendo com certa facilidade”, explica a educadora Iza Maria Vieira dos Santos Ruprecht, que destaca, “foi uma felicidade para todos; eles não tiram mais os óculos do rosto”.

 

Paulo Figueiredo da Silva, um dos alunos do projeto, recebeu os óculos há pouco mais de uma semana. Não tem um grau tão avançado, porém, garante que já fez uma diferença grande em sua vida. “Sempre que eu estava na aula, sentia dor de cabeça. Eu já tinha ido ao médico, mas falaram que eu não precisava, pois meu desvio é muito pouco. Aí quando o oculista do projeto veio, eu aproveitei para me consultar novamente, e deu que eu precisava mesmo usar óculos”, conta. “Para mim tem sido ótimo, não sinto mais dor de cabeça, consigo me dedicar à leitura sem forçar a vista”, acrescenta.

 

A aluna Meire Pereira dos Santos Silva brinca ao se lembrar de uma situação de dificuldade cotidiana que ela já não precisará mais enfrentar: “eu sempre pedia informação quando ia pegar ônibus. Um dia perguntei para o rapaz: ‘moço, esse passa na Praça da Bandeira?’ Ele disse que sim. Eu confiei e subi, quando vi, fui parar lá no Zoológico. Isso aconteceu porque eu não conseguia ler. Agora eu sei e enxergo, então ninguém mais me prega essa peça”, fala e ri.

 

Muitos alunos, além do problema de visão, enfrentam dificuldade financeira, o que limita as possibilidades de investir em um tratamento. “Eu já sabia que precisava usar óculos, mas não tinha condições de comprar. Para mim foi muito bom, ainda estou me adaptando, mas já está ajudando muito”, relata Maria de Lurdes Severo Antas, uma das alunas da educadora Iza.

 

É imensurável a importância da autonomia proporcionada pela apropriação da leitura e da escrita, vai muito além das necessidades práticas do dia a dia, mas para que ela ocorra, é preciso proporcionar as condições mínimas de aprendizagem, como enxergar perfeitamente.

 

Texto: Thiago Peixoto

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