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A EJA que queremos

Criada há pouco mais de 20 anos, como uma modalidade da educação básica e com a proposta de substituir o antigo supletivo por um programa de educação ao longo da vida, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) vive uma realidade preocupante e um tanto quanto controversa; enquanto a demanda vem crescendo consideravelmente (hoje está em torno de 87 milhões de pessoas, segundo dados da ONG Ação Educativa), o número de matrículas faz o caminho inverso, e vem diminuindo ano após ano.

 

A necessidade de reverter esse cenário é urgente, mas tem sido negligenciada em virtude dos gestores públicos, que, muitas vezes não enxergam a EJA como um direito e, consequentemente, não mobilizam recursos e esforços suficientes para trazer as pessoas, que não completaram o ensino básico na idade regular, de volta à escola. Somado a outros fatores de vulnerabilidade social, a política pública tem negado o direito à educação para milhões de pessoas no Brasil. “Os desafios hoje são vários. O primeiro deles, em relação à política nacional, é que ainda o MEC (Ministério da Educação) tem um olhar exclusivamente voltado para a alfabetização; ele não enxerga o universo da EJA como um todo”, explica Maria Alice de Paula Santos, gerente de formação da AlfaSol.

 

Outro agravante dessa situação é o modelo de ensino atual não despertar o interesse desse público, que tem se tornado cada vez mais jovem – segundo dados de 2009 do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), aos 15 anos de idade, apenas 47% dos jovens concluíram o ensino fundamental; e aos 20 anos, um quinto ainda não concluiu – e, consequentemente, mais exigente com relação a uma aula mais dinâmica e interativa. “O interesse do aluno da EJA hoje mudou bastante, junto com o público. Aqui na escola, 70% dos alunos da modalidade têm entre 15 e 20 anos, eles acham as aulas chatas, maçantes, cansativas, com isso, muitos acabam desanimando”, conta Rosana Oliveira Espindola, diretora adjunta da escola municipal Profª Cristina Evangelista (Teresina).

 

Esses não são problemas novos e, apesar de já estarem evidentes há algum tempo, estão longe de serem solucionados. Especialistas estimam que mesmo com a efetividade das metas estabelecidas no PNE (Plano Nacional de Educação) para a modalidade, não é possível que sejam resolvidos em apenas dez anos, prazo de vigência do plano. “O principal gargalo da EJA é a falta de atrativos, não temos uma política pública direcionada para a modalidade, então não há um trabalho contínuo, que valorize os alunos, incentive e ofereça aulas mais atraentes”, diz o gestor de escola municipal em São Sebastião, Ronaldo Cesar Neves Freire.

 

Independente do tempo necessário para que essa revolução educacional se estabeleça, é imprescindível que ela comece, e para isso é preciso pensar: qual a EJA que queremos? “Precisamos criar um universo escolar que faça sentido para o aluno e que caiba na vida dele, que dialogue com a realidade e com o mundo do trabalho, promovendo uma integração do conhecimento, ao invés de dividi-lo por disciplinas”, explica Maristela Miranda Barbara, diretora da AlfaSol.

 

Existe um conceito consolidado em associar, quase que automaticamente, a EJA à evasão de alunos, e a questão não é essa, mas sim a maneira com que olhamos para esse problema. “A forma como a escola está organizada, principalmente em relação ao tempo e espaço, não permite que o aluno faça o seu percurso. O correto seria oferecer várias possibilidades, programas com diferentes desenhos, para quem pode frequentar todos os dias, para quem pode a cada quinze dias, para quem precisa de horários flexíveis, para quem só pode fazer a distância, enfim, pensar em alternativas que abracem a realidade desse público”, explica Maria Alice.

 

À frente de vários programas de EJA em diversos estados, a AlfaSol é responsável pela modalidade na rede municipal de Teresina. Para desenvolver esse trabalho e obter os resultados, é fundamental entender quem é esse público e o que ele espera da escola, para despertar seu interesse pelos estudos e a percepção de que por meio dele será possível alcançar justamente o que eles procuravam ao abandonar a escola: um bom emprego. Essa é a proposta dos programas da AlfaSol no município: o TeleSol e o TeleSol-Pró oferecem aos alunos formações profissionais nos cursos de Ocupações administrativas, Comércio e Varejo e Telesserviços. “Fazer esse curso está sendo como receber a chave das algemas, pois o conhecimento é libertador. O cidadão da minha região vivia em função de favores dos políticos, para conseguir um emprego, para ajudar em uma necessidade, enfim, agora isso não cabe mais”, conta José Renato Santiago, aluno do curso de ocupações administrativas, na Escola Municipal da Santa Teresa.

 

A rede de EJA em Teresina é composta por 46 escolas, cerca de 200 professores e 4500 alunos. “Quando falávamos sobre a volta desses programas, o interesse era imediato, os alunos já me perguntavam: Quais cursos? Quantas horas? Vai ter certificado? Então eles têm uma expectativa muito grande em torno das portas que podem se abrir a eles no mundo do trabalho”, destaca Ana Vitória Carvalho Santos, chefe da divisão da Educação de Jovens e Adultos (DEJA) em Teresina.

Para implementar o programa, além do material didático e do portal Weduc (espaço virtual para troca de trabalhos, conteúdos e experiências entre os educadores e a equipe da AlfaSol), o programa contempla monitores para ministrarem os conteúdos dos cursos de educação profissional, mais os coordenadores de polo, responsáveis por fazer o acompanhamento pedagógico e dar suporte às demandas de um determinado número de escolas.

 

Além disso, ao longo do ano, são realizadas diversas formações com gestores e professores da rede, para juntos com a equipe da AlfaSol, avaliarem a metodologia que está sendo adotada e traçar novas estratégias. “De uma forma geral, quem atua na rede tem a percepção da necessidade de transformar o modelo atual, mas a materialização disso é muito difícil, até mesmo pela nossa formação, todos fomos formados nesse sistema dividido por disciplinas, precisamos desconstruí-lo; é o que buscamos fazer com os nossos programas”, conclui Maristela.

 

Texto: Thiago Peixoto
Foto1: Equipe AlfaSol na formação, em Teresina | Foto2: Gestores e professores acompanhando a formação | Foto3: Ana Vitória Carvalho Santos

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