De portas abertas para novas oportunidades

O programa Oportunidades Sem Fronteiras celebra a conclusão dos cursos de formação profissional para jovens

Na manhã de terça-feira (12/06), João, de 16 anos, estava “tremendo de emoção”. Isso porque ele foi um dos adolescentes que receberam o certificado de conclusão do curso de Ocupações Administrativas do programa Oportunidades Sem Fronteiras, realizado em parceria com a Elektro, para formar jovens de 14 a 18 anos em situação de acolhimento institucional.

Depois de oito meses, a turma da Associação de Educação do Homem de Amanhã (Guardinha), em Campinas, celebrou, com direito a abraços, comes e bebes, a finalização de um ciclo e a abertura de portas a novas oportunidades para esses jovens. Desde a semana passada, as 24 turmas do projeto, espalhadas em 22 municípios de São Paulo, vêm repetindo o mesmo ritual.

“O que mais levo daqui é o aprendizado pessoal. Antes, eu chegava na aula muito chateado, muito fechado. Depois, os professores foram conversando comigo e fui melhorando. Hoje, saio daqui com muitas amizades e vontade de fazer mais. Pretendo fazer outro curso, quem sabe de informática, arrumar um emprego e ajudar a minha mãe”, contou João. Durante o encontro de conclusão, ele e seus colegas relembraram os principais momentos do curso: desde a confraternização de fim de ano até as dinâmicas em grupo, que incluíam, por exemplo, aulas de inglês e visitas técnicas a empresas.

Um a um, eles recordaram e agradeceram os principais aprendizados adquiridos com a experiência. Adna, de 18 anos, contou que o que aprendeu no projeto foi fundamental para que conseguisse seu primeiro emprego com carteira assinada, como assistente administrativa no Centro de Acolhimento do Hospital Cândido Ferreira. “Eu era muito tímida, não abria a boca. Aos poucos, fui me soltando. A simulação de entrevista de emprego me ajudou muito! No Hospital, tive que responder algumas das mesmas perguntas que havíamos treinado aqui”, relembrou a jovem, cujo grande objetivo é tornar-se bombeira civil.

Beatriz e Isa, ambas de 17 anos, contaram que o mais valioso que levam do projeto são as amizades que construíram lá. “Não nos conhecíamos, mas agora somos como irmãs”, afirmou Bia. “Eu também me abri mais e aprendi a me comunicar melhor. Agora quero continuar minha formação, quem sabe continuando com um curso de inglês”, acrescentou Isa.

A responsável por todas essas mudanças e pela motivação desses jovens é Jennifer, a professora que todos descrevem como a “melhor educadora do mundo”. “Ela foi um anjo que Deus colocou na minha vida. Ela esteve sempre ao nosso lado, nos nossos erros e acertos”, disse Jonathan, de 17 anos, durante seu agradecimento. “Aqui, melhorei meu potencial, aprendi a trabalhar em grupo e conheci um pouco sobre o mercado de trabalho”, concluiu. Seu plano é fazer uma formação de engenharia mecânica para conseguir o primeiro emprego.

Para Jennifer, todo esse reconhecimento é gratificante. Ela, que é pedagoga e sempre trabalhou com pré-adolescentes de 12 e 13 anos, contou que trabalhar com a turma foi, de início, um desafio. “Nunca tinha ensinado algo como ocupações administrativas, então as formações mensais que recebia na AlfaSol me ajudaram muito nisso”, explicou. “No final, foi um desafio maravilhoso, porque vocês demonstraram ter muito potencial, têm muito a contribuir aonde quer que vocês estejam”, disse ela a seus pupilos, que também já estão prontos para encarar novas oportunidades.