Aprendendo a relatar as memórias e biografias

O resgate das lembranças servindo de aprendizado para jovens

Na última sexta-feira (22/06), aconteceu mais uma oficina de formação para os educadores da AlfaSol. Na ocasião, o historiador, jornalista e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Bruno Gaudêncio, conversou com os presentes sobre memórias e narrativas no cotidiano. Durante o encontro, os educadores foram instigados a entender como a busca pelas recordações do dia a dia podem incentivar uma melhor compreensão sobre as pessoas, suas histórias e o meio em que elas vivem.

Ao mostrar trechos do livro “Quarto de Despejo”, da autora Carolina Maria de Jesus, no qual ela narra o seu dia a dia nas comunidades pobres da cidade de São Paulo, Bruno comenta: “Carolina, utilizou um diário para guardar as memórias de seu cotidiano simples” e complementa “Hoje esse livro é referência para tentar compreender a vida nas periferias dos grandes centros”.

A lembrança sobre um fato ou lugar, além de ser individual, também pode ser coletiva, como por exemplo, a memória de moradores de um bairro sobre o local em que vivem. “Nesses casos a história do local é construída coletivamente, através do que cada um lembra sobre o lugar” comenta Bruno.

Traçando perfis

Atualmente, o meio mais popular de relatar as nossas memórias é através das redes sociais, porém, mesmo com toda essa instantaneidade e maneiras diferentes de se contar o cotidiano, sempre pode-se descobrir mais sobre cada indivíduo.  Para Bruno, as redes sociais mostram apenas superficialmente nossa história.

Em uma das atividades realizadas na formação, os educadores tiveram de construir o perfil de alguma pessoa presente na sala de uma forma criativa e depois apresentar para todos. Segundo Bruno, esse exercício ajuda a diferenciar a escrita de si sobre a de outra pessoa, além de fazer com que se possa conhecer melhor sobre a individualidade de cada entrevistado. Para Fabricio Rodrigues, educador da AlfaSol, este tipo de aprendizado ajuda a compreender melhor sobre a personalidade dos educandos. “Tentei justamente descrever o perfil de alguém que eu não conhecia para já ir praticando” comenta Fabrício.