EJA: a importância de permanecer aprendendo

A AlfaSol realizou mais uma formação com toda a equipe de EJA de Teresina apoiando no fortalecimento de políticas públicas

Até 2024, o Brasil terá de criar 869 mil vagas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) integradas à Educação Profissional. Os últimos números do Plano Nacional de Educação (PNE) mostram que nosso país ainda está bem longe de cumprir a meta de matricular, até 2024, 25% do público que demanda por essa modalidade de ensino: atualmente, a porcentagem de matrículas de EJA no Ensino Médio integrado à Educação Profissional é de apenas 2,9% e, no Ensino Médio, de 2,5%.

Na contramão desse panorama, a AlfaSol trabalha para consolidar a proposta de integração curricular entre a educação básica e a educação profissional, no âmbito da EJA. O maior exemplo disso é a parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Teresina (Semec) iniciada em 2014, para fortalecer as políticas públicas para essa modalidade no município. Entre os dias 23 e 25 de maio, realizamos no município uma formação com 50 gestores e quase 200 professores, além da equipe local da AlfaSol.

“O objetivo da formação é ter uma maior compreensão da proposta curricular de EJA, orientar e planejar as propostas de trabalho, além de apoiar a rede pública na aplicação desse modelo curricular. Essa gestão integrada é importante”, conta Vera Lúcia, coordenadora geral do programa TeleSol Pro em Teresina.

No ano passado, a parceria com o município formou 2.911 alunos. Atualmente, já são 3.170 educandos. “Isso é resultado da preocupação que a AlfaSol tem em mobilização, em pensar maneiras para atrair esses jovens e adultos pra sala de aula”, comenta Vera. Ela explica que, quando a EJA começou a ser aplicada na região, os alunos eram desmotivados, mas o interesse e a frequência do alunado melhorou com a aplicação do currículo integrado. “Eles passaram a ver essa proposta de educação até mesmo como um meio de trabalho”, diz a coordenadora.

As turmas de Teresina já receberam educação profissional em várias áreas e começaram, há três meses, um curso de empreendedorismo, que oferece noções básicas sobre como crescer com um pequeno negócio. “Temos muitos alunos empreendedores ou que têm trabalhos informais. Esses conhecimentos serão muito úteis para eles”, destaca Vera.

 

Formação de professores e gestores em Teresina.

Desafios e recompensas 

O trabalho com a EJA é muito gratificante, mas também envolve desafios. Para Jeferson de Sales Oliveira, professor que trabalha há quatro anos com essa modalidade em Teresina, o maior deles é atender às elevadas expectativas dos alunos. “Eles chegam com uma grande esperança, porque realmente veem a escola como uma oportunidade de transformação de vida, principalmente relacionado às oportunidades de trabalho. Então, parte do nosso trabalho é entender quais são os anseios, e desejos desses alunos”, conta.

Outro obstáculo, conta o educador, é conseguir manter o alunado na sala de aula. “No ensino regular, quando o estudante está desmotivado, recorremos à família, ligamos pros pais. Na EJA, o que temos que fazer é trabalhar a autoestima desse educando, dar a ele uma injeção de ânimo”. Para instigar os alunos, os professores utilizam filmes, realizam rodas de conversa, debates, feiras, aulas-passeio, atividades culturais e outras atividades para tornar as aulas mais dinâmicas. “Nós quebramos o paradigma de achar que o livro é única ferramenta de aprendizagem”, afirma Vera.

Jeferson destaca que os dispositivos tecnológicos e a internet também ajudam a continuar a formação para além do ambiente escolar. “Hoje em dia, as aulas continuam nos grupos de WhatsApp, onde passamos orientações para que os alunos façam os trabalhos e pesquisas”, diz ele. “Antes, tínhamos a falsa ideia de que os alunos de EJA só produzem na sala de aula, com o educador do lado, e não é assim. Vamos lançando desafios, orientando, e eles se desenvolvem sozinhos”, acrescenta.

Para Jeferson, Vera e os demais professores e gestores da rede em Teresina, a formação realizada com toda a equipe é uma oportunidade de dar continuação à sua formação como educadores. É um momento de atualizar conhecimentos e abordagens. Como diz Jeferson, “isso de permanecer aprendendo é muito importante”.  A sede de educação deles, assim como a nossa, é ilimitada.