Dia da Educação: a tecnologia e a cultura maker como aliadas no aprendizado criativo

O Engenhoca Criativa é um projeto que ensina tecnologia e empreendedorismo a jovens de 15 a 24 anos da zona sul de São Paulo

No dia em que se comemora a Educação (28/04), vale lembrar que, para além das leituras e anotações em livros e cadernos, o aprendizado é uma prática, uma vivência que rompe os limites das escolas e se projeta para qualquer espaço com gente disposta a compartilhar conhecimentos diversos. A tecnologia e a inovação, que dão mais liberdade às jovens mentes criativas, são ferramentas essenciais nesse processo.

É justamente nesse contexto que surge o projeto Engenhoca Criativa, uma parceria entre a AlfaSol e a Explorum Educacional, com apoio da Samsung, que vai formar 170 jovens entre 15 e 24 anos da zona de sul de São Paulo em tecnologia e cultura maker —aquela ideia de que é fazendo que se aprende—.

A formação, que começou há três semanas, durará oito meses. Durante esse tempo, os participantes terão oficinas de tecnologia, aulas e rodas de conversa sobre empreendedorismo, trabalho e criatividade. “O objetivo é unir os conceitos de tecnologia maker com educação social e trabalhar dentro de uma cultura de aprendizagem criativa”, explica Eduardo Azevedo, co-CEO da Explorum.

A mágica acontece graças a um kit criado pela start-up: uma caixa que contém placas, cabos de USB, uma buzina, luzes LED, botões, sensores de luz e distância, lazer e um pequeno motor. Com isso em mãos, e utilizando também materiais recicláveis, os jovens dão asas à imaginação (e à inovação) e criam diferentes “engenhocas”. “A ideia é justamente que os alunos consigam prototipar qualquer coisa”, comenta Azevedo.

Uma luminária LED feita com uma garrafa e flores de plástico e um carrinho com controle remoto recarregável, cujos eixos estão unidos por fio dental são alguns dos objetos que já saíram do papel, como conta a coordenadora da AlfaSol para o projeto, Alynne Nogueira. “O Engenhoca dá a esses jovens a possibilidade de ser protagonistas de suas próprias ideias e traz para eles uma visão de empreendedorismo”, comenta.

A educadora também destaca a formação cidadã que a iniciativa propicia: “Para além da tecnologia, esse projeto ajuda os alunos a desenvolver uma visão mais crítica. Eles aprendem a ver uma situação problema e buscar possíveis soluções para ela. Faz eles pensarem: ‘O que me incomoda no mundo em que vivo? O que posso fazer para mudar isso? Vou criar algo para melhorar minha comunidade’”.

Alunos da AlfaSol no projeto Engenhoca Criativa.

Tecnologia e inovação ao alcance de todos

Outro aspecto importante do projeto é a democratização do acesso à tecnologia. “Estamos diariamente rodeados por tecnologia e agora podemos pôr a mão na massa. Só pelo fato de ser uma iniciativa de impacto social, já é muito importante. Tem gente lá que, se não fosse o projeto, não conseguiria nem ver um vídeo na internet, porque não tem acesso mesmo”, afirma a aluna Gabriela Ramos, de 15 anos.

Para a diretora da AlfaSol, Maristela Barbara, essa democratização é fundamental para gerar transformação social. “O Engenhoca Criativa demonstra que projetos e programas inovadores podem ser construídos fora dos centros de pesquisa, em “espaços de fazer”, onde pessoas com conhecimentos distintos se unem para construir novas tecnologias e uma realidade social mais justa”, afirma.

Inclusão é a pauta do projeto e, por isso, o kit desenvolvido pela Explorum pode ser enviado para qualquer lugar e não precisa de internet para funcionar, conforme explica Eduardo Azevedo. “Queremos levar a metodologia da inovação para a escola pública, para os jovens sem recursos. No início, até achávamos que o kit seria um fim, mas hoje vemos que o hardware é só um meio para chegar a esse objetivo maior”, diz ele.

Idealizar, Fazer, Colaborar, Aprender, Empreender e Socializar: essas são as metas do Engenhoca Criativa.