Top 10 mulheres que revolucionaram com suas descobertas

Cada vez mais muitos dos utensílios e tecnologia se tornam imprescindíveis para o nosso dia-a-dia. Afinal, ajudam a salvar vidas e, até mesmo, deixam nossa rotina mais confortável e prática.

Mas você sabia que muitos desses apetrechos surgiram do estudo de cientistas engenheiras mulheres? O problema é que muitas delas não foram reconhecidas por suas contribuições e, mesmo as que foram, geralmente, não são lembradas.

Abaixo uma lista com 10 mulheres que inovaram e revolucionaram a partir de suas descobertas ao longo da história.

Hedy Lamarr – conceito de transmissão
Além de atriz de Hollywood, famosa pelo longa “Ecstasy” (1933), a austríaca naturalizada norte-americana HedyLamarr foi a inventora de uma tecnologia que permitia controlar torpedos à distância, durante a Segunda Guerra Mundial, alterando rapidamente os canais de frequência de rádio para que não fossem interceptados pelo inimigo. Esse conceito de transmissão acabou, mais tarde, permitindo o desenvolvimento de tecnologias como o Wi-Fi e o Bluetooth.

 

Hedy Lamarr/ Photo by Silver Screen Collection/Hulton Archive/Getty Images

Letitia MumfordGeer – seringa
Em 2 de abril de 1899, a americana LetitiaGeer registrou a patente da primeira seringa para aplicação de substâncias por meio de um pistão, e que podia ser utilizada com apenas uma mão pelo médico. O conceito inventado por Geer facilitou bastante a vida dos profissionais de saúde, e as seringas modernas são inspiradas pelo modelo apresentado pela inventora.

Barbara McClintock – transposição genética

A botânica americana Barbara McClintock (1902 – 1992) descobriu o fenômeno da transposição genética, o que lhe rendeu não somente um Nobel de Medicina/Fisiologia, mas também o título de uma das três figuras mais importantes da história da Genética.

Por ser mulher, no entanto, o trabalho de McClintock foi recebido inicialmente com imenso ceticismo. Tanto que o seu reconhecimento com o prêmio Nobel só aconteceu em 1983 – nada menos que trinta anos depois da sua descoberta.

Marie Curie – radioatividade

A química e física polonesa Marie Curie (1867 – 1934) foi uma das mais importantes cientistas da História. Conduzindo pesquisas pioneiras na área da radioatividade – termo que ela mesma cunhou – Curie e seu marido, Pierre, desenvolveram técnicas para isolar isótopos radioativos e descobriram os elementos polônio (Po) e rádio (Ra). Iniciaram, com isso, o estudo e uso moderno da radioatividade, incluindo tratamentos atuais de câncer.

Felizmente, Curie teve reconhecimento ainda em vida. Recebeu, por seu trabalho, dois prêmios Nobel – o de Física, em 1903, e o de Química, em 1911 – tornando-se a primeira pessoa no mundo a receber o Nobel duas vezes. Uma cientista exemplar, ela preferiu não patentear seus processos de isolamento do rádio, permitindo que a comunidade científica realizasse suas pesquisas livremente.

Curie morreu aos 67 anos de leucemia, causada pela exposição prolongada à radiação durante suas pesquisas. Em 1995, seus restos mortais foram transferidos para o Panteão de Paris, fazendo dela a primeira mulher a ser sepultada no local. O elemento Cúrio (Cm) foi batizado em sua homenagem.

 

A química e física polonesa Marie Curie.

Stephanie Kwolek – kevlar

A química americana Stephanie Kwolek trabalhou durante mais de 40 anos na empresa DuPont, onde acidentalmente criou uma fibra sintética leve e super-resistente, mais tarde chamada de Kevlar. A invenção surgiu quando Kwolek tentava desenvolver uma fibra mais leve para pneus de carro e foi patenteada em 1966. A fibra é um polímero resistente ao calor e mais resistente que aço por unidade de peso. Atualmente, Kevlar é aplicado em cintos de segurança, construções aeronáuticas, coletes à prova de bala, linhas de pesca e vários outros produtos. Até alguns celulares usam a fibra, como o modelo Motorola RAZR i.

 

A química polaco-estadunidense Stephanie Kwolek.

Josephine Cochran – lava-louças
Patenteada em 1886, a primeira máquina de lavar louças automática foi desenvolvida pela americana Josephine Cochran, que apresentou sua invenção na Feira Mundial de Chicago, em 1893, e atraiu o interesse de restaurantes e hotéis. Apenas nos anos 50 o eletrodoméstico se tornou mais conhecido pelo público geral, com o aumento da disponibilidade de água quente nas casas, detergente para lavar louça e uma mudança de costumes em relação ao trabalho doméstico. Em 2006, seu nome foi incluído na lista de inventores da organização NationalInventors Hall ofFame.

Nise da Silveira – grande contribuição para Psiquiatria

As contribuições da psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905 – 1999) à Psiquiatria começaram como resultado de uma punição: por não concordar com métodos agressivos de tratamento como eletrochoques, lobotomia e insulinoterapia, Silveira foi transferida para trabalhar na área de terapia ocupacional do Centro Psiquiátrico de Engenho de Dentro – atividade que era menosprezada pelos médicos da época.

Ao invés de se ater a tarefas tradicionais de terapia ocupacional da época, no entanto, Silveira criou ateliês de pintura e modelagem, com o objetivo de fazer com que os pacientes fortalecessem seus vínculos com a realidade através da expressão artística e da criatividade. Tal iniciativa – e outras que vieram depois – revolucionou a psiquiatria da época e a colocou em contato com Carl Jung, que incentivou e orientou e seus estudos. Silveira também foi pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais.

Por seu trabalho, Silveira recebeu diversas condecorações, títulos e prêmios e foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica (“SocietéInternationale de Psychopathologie de l’Expression”), sediada em Paris.

 

Quem foi Nise da Silveira, a mulher que revolucionou o tratamento da loucura no Brasil.

Marie Van Brittan Brown – sistema de monitoramento doméstico
Natural do bairro do Queens, em Nova York, a inventora afroamericana obteve, em 1969, a patente para o primeiro sistema de vigilância por vídeo para uso doméstico. O sistema funcionava com uma câmera que podia ser remotamente controlada e movida por quatro buracos diferentes, transmitindo as imagens para um monitor dentro de casa. A invenção foi a “mãe” dos sistemas modernos de vigilância doméstica, e a patente também está disponível para consulta.

 

Marie Van Brittan Brown.

Marion Donovan – fraldas descartáveis
Com dezenas de patentes registradas, a americana foi a responsável pela criação da primeira fralda descartável à prova de líquidos, o que facilitou a vida dos pais que sofriam ao trocar e lavar fraldas de pano. A ideia surgiu ao costurar uma cortina de chuveiro à fralda, o que evitava que a roupa do bebê e o berço ficassem molhados. Além disso, Donavan também foi responsável por substituir os alfinetes (perigosos para as crianças) por lacres de plástico nas fraldas.

Maria Beasley – bote salva-vidas
Pouco se sabe sobre a inventora Maria Beasley, apenas que queria criar um bote salva-vidas mais resistente, à prova de fogo e compacto. Sua versão, lançada em 1884 em uma exposição de Nova Orleans, era mais fácil de dobrar e armazenar: até 1870, o bote era basicamente uma tábua de madeira. Beaseley patenteou sua ideia e foi responsável por outras invenções, como aquecedores de pé e uma máquina de barril de madeira, útil para a preservação de alimentos. A inventora foi uma grande exceção entre as mulheres da época, ganhando cerca de 20 mil dólares por ano, e seu bote salva-vidas impediu centenas de mortes em um dos acidentes de navio mais trágicos da história, o naufrágio do Titanic.