Areia de vidro? Uma ideia inovadora

Estudante universitária será acompanhada pelo programa UniSol  com projeto que contribuirá com o fortalecimento de comunidades carentes

90 cidades e 103 universitários. Esse foi o saldo do VII Prêmio para Estudantes Universitários, realizado pelo Instituto 3M, em parceria com a AlfaSol, por meio do programa UniSol. Dessa significa quantidade de inscrições, uma se destaca: a da estudante Isabelle Aparecida Costa, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A jovem cursa o quinto semestre de Engenharia Civil e o projeto Reaproveitamento de materiais obtidos a partir de resíduo de vidraçarias comerciais para a produção de compósitos vidro-cimento foi o vencedor do concurso. Conversamos com Isabelle, que nos contou sobre as motivações que fizeram pensar no projeto, as expectativas e objetivos. Isabelle receberá, com o projeto, apoio técnico e financeiro durante 12 meses do programa UniSol e Instituto 3M.

Primeiro, me conta sobre a ideia do projeto. Como surgiu a ideia? De onde veio a necessidade de trabalhar com esse projeto? 

A motivação do nosso projeto surgiu de uma conversa entre meu professor e um catador de lixo que trabalhava nas proximidades de nossa faculdade. Esse senhor sempre recolheu o lixo naquela região e ele deixava os resíduos vítreos para trás, um dia meu professor o indagou sobre a preferência pelos outros materiais, que respondeu que, para ele, “o vidro não tinha valor”. Bom, nós temos consciência de que embalagens de vidro têm muito valor, principalmente pela possibilidade de recicla-las formando um ciclo. Porém, descobrimos que na nossa região essa prática não possui uma viabilidade nem uma logística muito simples… Tendo em vista essas situações, nós estudamos possíveis aplicações que o vidro poderia ter na construção civil e notamos uma semelhança muito grande nas propriedades do vidro com a areia. O que é de grande valia, pois a areia é um recurso natural finito e é muito importante no nosso ramo. E assim iniciamos o projeto.

 

Qual o objetivo principal do projeto?

Beneficiar comunidades carentes. A metodologia do nosso trabalho parte de uma premissa simples “do pó viemos e ao pó voltaremos”, nossa ideia é reciclar as garrafas, potes, embalagens transformando-os novamente em areia. Ou seja, queremos fazer uma “areia de vidro”, conhecida como pó de vidro, que pode ser utilizada em compósitos de cimento (ou no concreto), e utilizar isso para realizar construções de pequeno porte, meios-fios e calçadas em comunidades carentes. E ainda gerar mais renda para os catadores que vão realizar o processos de reciclagem.

De que maneira comunidades vulneráveis podem ganhar com o projeto e se tornar financeiramente autônomas?

Nossa ideia é fazer a roda girar de forma simples. O resíduo vítreo será coletado por catadores, que o transportarão até o barracão da cooperativa onde estarão disponíveis: um triturador e um moinho de bolas, que farão o processamento das embalagens de vidro e entregarão o produto final pronto para comercialização, gerando uma renda a mais para os catadores.

Nosso objetivo inicial é fazer uma ponte de venda entre os catadores e a prefeitura, pois os catadores vão vender esse pó de vidro para a prefeitura e ela poderá utilizar para realizar obras de infraestrutura básica. Então, além da renda gerada para a comunidade carente, a ideia do projeto é utilizar a matéria prima como um benefício para os moradores da comunidade.

Por que você considera um projeto de fácil replicação e inovador?

Esse projeto é inovador e pode ser facilmente replicado, pois não exige processos muito difíceis de realização, tudo que precisamos é de equipamentos específicos para a transformação do vidro. É uma ideia simples que pode gerar muitos bons frutos.

 

Como foi receber a notícia de que o projeto é o vencedor?

Foi uma surpresa, o sentimento na hora foi de incredulidade. O plano era embarcar para São Paulo com os dois pezinhos “no chão”, nós não tínhamos muita confiança, porque sabíamos que havia muita gente boa e competente no páreo. Eu já estava muito grata pela experiência vivida, pelo conhecimento adquirido no treinamento, por ter conhecido tantas pessoas, por conhecer a 3M internamente… Ganhar foi uma surpresa e uma alegria imensa, porque todo o estudo realizado finalmente foi reconhecido e vai poder ser aplicado como benefício para a sociedade.

Quais as expectativas que vocês têm daqui para frente em relação a colocar a ideia em prática?

No momento estamos cuidando da parte burocrática. Nosso foco inicial é realizar a compra dos materiais e equipamentos para viabilizar a produção em larga escala. Em paralelo estamos participando de reuniões com o pessoal da prefeitura para acertar alguns detalhes. Depois que tudo já estiver em funcionamento, nosso objetivo é fazer uma análise de outros locais que esse concreto poderá ser aplicado, e para isso realizaremos mais ensaios.

Nossas ideias para o futuro são incontáveis, mas acho que algumas das principais e mais palpáveis dizem respeito a colocar o projeto em prática em outros lugares do estado e também fechar parceria com empresas do ramo vidraceiro para dar o destino correto a todo o resíduo vítreo gerado.