Independentemente das diferenças, juntos somos mais fortes!

Jovens dos cursos de Turismo e de Comércio e Varejo falam de diversidade em evento de encerramento de curso.

Ao som da música Um Mundo Bem Melhor (We Are The World) as turmas dos cursos de Turismo e de Comércio e Varejo, do programa Educação Profissional, realizado no âmbito do FUMCAD, subiram ao palco do teatro do CEU Jambeiro, em Guaianazes, extremo leste de São Paulo, para dar início ao evento de culminância, nesta sexta-feira (29). Ao todo, mais de 300 meninas e meninos concluíram as atividades que duraram 12 meses.

Em conjunto, os jovens escolheram o tema Independentemente das Diferenças, Juntos Somos Mais Fortes. Eles trouxeram a diversidade em suas apresentações e encenaram o nascimento da cultura entre outros temas, como, por exemplo, as diferentes características regionais do Brasil;também trouxeram questões ligadas diretamente ao seu cotidiano, como sexualidade, raça e gênero.

“É importante lembrar que a finalidade do programa não é somente dar uma certificação profissional no final do curso. Trabalhamos na perspectiva da educação integral, por isso as competências socioemocionais são tão importantes quanto os conteúdos específicos ligados ao curso em questão”, disse Maristela Barbara, diretora da AlfaSol.

Walace Henrique (à esquerda) participou da peça sobre hegemonia cultural.

Walace Henrique (à esquerda) participou da peça sobre hegemonia cultural.

Esse despertar para enxergar a si mesmo e o mundo sob outras óticas, também foi sentido pelo jovem Walace Henrique, 16 anos. “Digamos que quando entrei no curso de Turismo eu achava que era viajar, conhecer outros lugares, é isso, mas não é só.  Tem toda uma parte de administração e como profissional, isso me qualifica e vai criando uma personalidade profissional dentro de mim e de outros jovens”, falou.

A peça realizada por ele e outros adolescentes abordou a hegemonia cultural, ou seja, a dominação ideológica por uma classe sobre a outra, por meio da sua imposição de visão do mundo padronizada e, consequentemente, fazendo com que o diferente se torne algo que não cabe no  mundo. “Falamos de cultura, etnia, acontecimentos culturais que são falados e os que não são discutidos também. Trouxemos assuntos como empoderamento, discriminação e as consequências da dominação de uma cultura sobre a outra. A diversidade é importante e temos que ter em mente que o não comum para a gente não significa que não é natural, é apenas diferente e deve ser respeitado, claro, se também for feito com respeito”, disse o jovem.

Outra encenação trouxe para o palco figuras históricas que utilizaram o conhecimento e experiências de suas vidas tanto para o bem, quanto para o mal. No palco, Adolf Hitler, Cora Coralina, Santos Dumont, Anne Frank, Zumbi dos Palmares, Maria da Penha, entre outros, foram algumas dessas representações.

Figuras histórias foram representadas no palco. Na foto, Maria da Penha.

Figuras histórias foram representadas no palco. Na foto, Maria da Penha.

Outras atividades

Revitalização de uma praça e de brinquedos na comunidade, feira beneficente e feira cultural sobre estados brasileiros, também foram algumas atividades de conclusão de curso apresentadas pelos jovens. E, embora tenham sido ações dentro do planejamento metodológico dos educadores, Marco Brandi, educador da AlfaSol, ressalta as escolhas dos adolescentes dentro da sala de aula e o respeito que a organização tem sobre elas.

“Eles demonstram autonomia e vontade de fazer,  quando vejo apresentações como as de hoje que, realmente, me emocionam, eu penso que o mundo ainda tem esperança porque é essa juventude que vai dar continuidade às outras gerações. Sentimento de missão cumprida sim, pois foi um projeto maravilhoso e a AlfaSol cumpre um papel fundamental na vida desses jovens. Eu vi meninas e meninos entrando na sala de aula calados, tímidos e sem participação, mas que, aos poucos, foram se soltando e, hoje, fizeram papeis de protagonistas em uma peça de teatro. Essa mudança de postura eles vão levar para o mundo”.

Mudança sentida também por Marcos Joaquim, 17 anos. “A gente aprendeu a valorizar o próximo. Mesmo que aquela pessoa pareça a princípio não apta para fazer algo, a gente aprende que todo mundo é bom em alguma coisa e as inteligências são diversas e todas devem ser levadas em consideração”, disse, após fazer uma apresentação tocando violino e emocionar toda a plateia.

Já Walace acredita se sentir mais maduro comparado ao momento que entrou no curso. “Vou levar paciência, seriedade, posicionamento, tomada de frente e direcionamento. É um grande conjunto de qualificações por porte profissional”.

Marcos Joaquim encantou a plateia ao tocar violino.

Marcos Joaquim encantou a plateia ao tocar violino.

O aprendizado do outro lado

Não são apenas os jovens que aprendem com o programa da AlfaSol, mas também os educadores, como é caso do educador Milton King. “Estou radiante por ter conseguido chegar até o final.  Foi minha primeira experiência como educador, então, é natural que role insegurança. Perguntava se eu estava fazendo certo, mas não existe um segredo, existe levar a sério, colocar em prática o que os dois lados têm a oferecer e construirmos juntos esse belo trabalho. Neste ano, aprendi bastante coisa com esses jovens! ”, exclamou.

Até mesmo Marco Brandi, com anos de experiência em sala de aula, disse sentir frio na barriga.  “Como educador, a gente prepara todas nossas aulas, só que os jovens com suas necessidades, angústias e independência são capazes de transformá-las. Então, muitas vezes você vai preparado para uma atividade, mas, de repente, é obrigado a mudar tudo porque naquele dia o jovem precisa falar de um determinado assunto que não estava dentro do conteúdo e, , nesse momento, mais importante que o conteúdo planejado, é ouvir esses adolescentes porque eles são protagonistas. Nós, educadores, somos instrumentos para isso acontecer. Eu entro na sala de aula de um jeito, mas, ao término, também saio transformado”, disse.

Alfabetização Solidária (AlfaSol)

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