Quebrando Tabus

Formação de educadores do programa Educação Profissional discute sobre sexualidade e gênero

O que é sexualidade? Essa e outras questões que envolvem diversidade sexual e gênero foram debatidas na formação dos educadores do programa Educação Profissional, realizado no âmbito do FUMCAD, ocorrida hoje (04), na AlfaSol. O objetivo é fazer com que os educadores estejam preparados às circunstâncias que acontecem em sala de aula dentro desse âmbito de discussão.

Para isso, os educadores dividiram-se em grupo e realizaram a leitura do texto “Sexualidade”, elaborado pela equipe do Instituto Semeando Gênero. A partir disso, os grupos explicaram sua concepção do texto, por meio de experiências vividas dentro e fora da sala de aula.

“Esse texto me fez refletir sobre minha criação que, inclusive, foi machista. Do homem não poder achar outro bonito, por exemplo. E é difícil conversar sobre porque sempre tem o olhar do outro te censurando”, disse o educador Tiago Luis.

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Educadores discutem sobre sexualidade e gênero.

O grupo dele trouxe a concepção de que, independente de gênero e sexualidade, todos somos seres humanos e que devemos ser respeitados pelo que nos identificamos. “Independente se você é mulher ou homem, em primeiro lugar, somos seres humanos. Você deve ser livre para ser quem é desde que se permita, mesmo com a sociedade ensinando a gente a se blindar”.

Essa blindagem, de acordo com o educador Davi Borges, deve ser identificada a cada fala e ato que fazemos, ainda que nos pareça natural. “Vale lembrar de que quando falamos ‘sociedade’, também estamos referindo a nós mesmos porque também construímos barreiras e de tão corriqueiro, achamos que é normal, mas não é”, contou.

Fora da caixinha

“A sexualidade tem a ver com tudo o que nos emotiva e nos dá prazer porque procuramos prazer em tudo: desde ir à academia ao sexo. E quem tem a sexualidade reprimida, adoece”, opinou a educadora Daniela Ferreira. Segundo o texto lido pelos educadores, “sexualidade é uma das dimensões do ser humano que envolve gênero, identidade sexual, orientação sexual, erotismo, envolvimento emocional, amor e reprodução”.

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Experiências dentro e fora da sala de aula foram abordadas na formação.

Os grupos também trouxeram que a sexualidade de cada indivíduo é única e, por isso, o termo em si não deve ser colocado em caixas com formato único. “Identidade sexual é diferente de identidade de gênero, por exemplo. A sexualidade diz respeito a como as pessoas percebem sua orientação sexual, como elas se envolvem afetivamente. Já a identidade de gênero é como ela se percebe como homem, mulher ou os dois…”, explicou o educador Cleofas Jr.

A orientação sexual de uma mulher transexual (que se identifica com o gênero feminino, embora tenha sido biologicamente designada como pertencente ao gênero masculino), por exemplo, pode ser heterossexual, homessexual, bissexual ou assexual. “O mais importante é que isso não diz respeito a ninguém, mas somente a própria pessoa. Ninguém sai perguntando por aí se alguém é hétero. Por que eu perguntaria se alguém é homessexual?”, disse a coordenadora do programa, Rosa Ponte. “E devemos falar sobre sexualidade com nossos jovens porque é o que nos move como seres humanos. Precisamos fortalecê-los, nesse sentido, mas, antes, como educadores precisamos sair de dentro das caixinhas que a sociedade e nós mesmos nos colocamos”, completou.

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