Fora da caixa

Formação de educadores aborda os estereótipos de padrões impostos pela sociedade e trabalham com alternativas para desconstruí-los

O que é construção social? Essa foi a questão que moveu a formação dos educadores do Programa Educação Profissional, realizada no âmbito do FUMCAD, na manhã desta sexta-feira (11). Dizer que algo foi socialmente construído, para os educadores, significa que foi trazido pela sociedade, ou seja, por um grupo de pessoas organizadas, com valores, interesses e necessidades particulares.

O assunto é continuação da formação anterior sobre diversidade e sexualidade, cujo objetivo é questionar os padrões de gênero edificados dentro de uma sociedade branca, heteronormativa e patriarcal. “A construção social não deixa a gente entender, por diversas vezes, quem realmente somos, porque determinam nossos caminhos desde o momento que nascemos, nos dizendo se somos homem ou mulher, por exemplo, e confrontar isso é visto como uma anormalidade”, opinou a educadora Bianca Lunna.

O debate é consequência das experiências dos educadores em sala de aula. “Há jovens que ainda são agredidos em casa por serem homossexuais e o racismo ainda é recorrente entre eles. O que mais me preocupa é como devemos fazer para desconstruir isso, tirar os jovens de caixinhas, mas, ao mesmo tempo, lidar com uma família que os agride”, questionou o educador Eduardo Guimarães.

“Precisamos fazer um trabalho de conscientização, mas não achando normal quando a mãe ou o pai bate no filho por ser homossexual somente por ser família”, respondeu Bianca. No Brasil, ainda não há legislação que puna especificamente homofobia. No entanto, as vítimas podem denunciar por meio do Disque 100 – serviço de atendimento telefônico gratuito, que funciona 24 horas por dia.

“A ponte entre a educação e a família não deve ser distante porque se não tiverem de mãos dadas, é o adolescente quem perde com isso”, comentou a coordenadora do programa, Rosa Ponte.

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Educadores debatem sobre construção social.

A religião do outro

A educadora Andréia Santos é evangélica desde os 18 anos e foi na sala de aula da AlfaSol que ela teve contato com a religião do candomblé. “O que me chamou mais atenção foi o quanto de ações sociais eles fazem. A gente precisa conhecer o outro antes de qualquer julgamento e deixar nossas verdades um pouco de lado para entender que há outras além das nossas”, contou.

“Como educadores, precisamos deixar nosso espiritual para a gente e trazer para os jovens o contexto histórico-social”, disse Rosa. “É dessa forma que vamos quebrando caixinhas e desconstruindo as coisas”, completou.

Alfabetização Solidária (AlfaSol)

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